segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Poesia de Gregório de Matos Guerra (1623-1696)

Ao mesmo assumpto e na mesma ocasião. Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado, Da vossa piedade me despido, Porque quanto mais tenho delinquido, Vos tenho a perdoar mais empenhado. Se basta a vos irar tanto um pecado, A abrandar-se sobeja um só gemido, Que a mesma culpa, que vos há ofendido, Vos tem para o perdão lisonjeado. Se uma ovelha perdida, e já cobrada Glória tal, e prazer tão repentino vos deu, como afirmais na sacra história: Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada Cobrai-a, e não queirais, Pastor divino, Perder na vossa ovelha a vossa glória. Livro: Gregório de Matos Poesias Selecionadas, Editora FTD,1993.

Nenhum comentário:

Postar um comentário