quinta-feira, 19 de março de 2015

O mito de Tarzan
No começo do século XX, o escritor norte-americano Edgar Rice Burroughs (1875-1950) deu início à publicação de uma série de histórias cujo personagem central era um homem criado desde criança por grandes macacos na África. Filho de um casal de nobres ingleses mortos após o naufrágio do navio em que viajavam pela costa africana, seu nome era John Greystoke. Os macacos que o criaram, porém, o chamavam de Tarzan. Sucesso imediato entre os leitores, Tarzan logo passou para as telas de cinema e para as histórias em quadrinhos, encantando sucessivas gerações.
Nas histórias de Burroughs, Tarzan aprendeu a ler sozinho, com a ajuda apenas de um livro encontrado em uma cabana. Além disso, demonstrou sentimentos nobres e humanos e defendia valores semelhantes aos da sociedade em que viveu o escritor. Na verdade, o autor criou Tarzan segundo a imagem que tinha do homem europeu na época vitoriana: "civilizado", incapaz de atos de violência gratuita, justiceiro e... "superior" aos africanos. Tratava-se, portanto, de uma construção ideológica que reproduzia as relações de dominação das potências europeias sobre os povos da África na época do imperialismo (séculos XIX e primeira metade do século XX). Por essa época, os líderes das potências europeias justificavam essa dominação afirmando que os europeus iam para a África difundir o que chamavam de "civilização" entre povos "bárbaros! e "atrasados".
Como obras de ficção, os livros de Tarzan sempre atraíram o interesse de jovens leitores. Como fonte de conhecimento, entretanto, apresentam uma imagem falsa e deformada da África, criando um personagem mítico, distante da realidade. Como vimos, os indivíduos da espécie humana só se tornam verdadeiramente humanos por intermédio da convivência e da interação em um meio social, ou seja, com seres de sua espécie. Como outras construções ideológicas, Tarzan contribuiu para difundir e legitimar os interesses imperialistas de dominação dos povos africanos entre os séculos XIX e XX.

texto retirado do livro de Sociologia do 1º ano do ensino médio. Sistema Ser de Ensino. Autor Pérsio Santos de Oliveira, página 5.